Rolos compactadores: como escolher?

Os rolos compactadores aplicam a força mecânica para reagrupar as partículas do solo e reduzir ao máximo os espaços vazios entre elas. O processo permite obter uma camada superficial mais uniforme e estável, resistente ao desgaste e às intempéries e capaz de suportar maiores cargas. Mas a escolha dos equipamentos para compactação do solo na construção civil não é simples e exige bastante conhecimento técnico.

Antes de definir o rolo compactador que será usado em uma obra, é preciso conhecer agranulometria do solo do terreno. De acordo com a norma NBR 6502:1995 – Rochas e solos, o material é classificado nas seguintes categorias: argila (granulometria menor que 0,002mm); silte (entre 0,002 e 0,06mm); areia fina, média e grossa (0,06 a 2,0mm); pedregulho, cascalho ou seixo (2,0 a 60,0 mm); matacão (200mm a 1,0m); e bloco de rocha (diâmetro superior a 1,0 m).

TAMBOR LISO OU DE PATAS?

A quantidade de partículas de argila ou silte (chamadas de “finos”) presentes no solo influencia diretamente a escolha do equipamento. “Esses finos exercem uma força resistente à compactação, chamada de coesão. Quando essa proporção ultrapassa os 35%, o equipamento indicado é o rolo de tambor com patas. Se a quantidade de finos for inferior a 35%, recomenda-se utilizar o rolo com tambor liso”, explica Carlos Santos, do departamento de aplicação de produtos da Atlas Copco, detentora da marca Dynapac.

Ele explica que, se um rolo com tambor liso for utilizado para compactar um solo coesivo, haverá compactação, mas a produtividade será prejudicada. “Da mesma forma, se for utilizado um rolo com patas em solo granular, além de não se atingir a produtividade desejada, as características físicas do solo poderão ser modificadas, com a quebra de partículas durante a compactação”, previne Carlos.

Rodrigo Pereira, especialista em compactação e gerente de produtos e negócios da Bomag Marini, complementa: “o tambor com patas deixa a superfície do solo mais exposta à secagem rápida, com efeito de amassamento e flexão, e o liso se adequa a quase todos os tipos de solo, como areia, brita,cascalhos, até solos pouco coesivos”, detalha Pereira, acrescentando que o tambor liso é versátil e pode ser adaptado com um kit patas, de instalação prática.

CARACTERÍSTICA DA APLICAÇÃO DOS ROLOS

Os rolos compactos, por exemplo, com pesos entre 4,5 a 7 toneladas, são usados em pavimentação urbana e serviços de compactação leve próximos a residências – situações comuns em centros urbanos – por não afetarem as estruturas vizinhas. A classe pesada é dividida em dois grupos – o de equipamentos de 11 a 17 toneladas, usados em trabalhos médios e difíceis, como obras rodoviárias, por exemplo, e os de 20 a 27 toneladas, que compactam solos com mais camadas de enchimento em construção de portos, diques, aeroportos e barragens.

Carlos Santos reforça que os tipos e tamanhos dos rolos compactadores são especificados conforme as características da aplicação. “Um rolo compactador de 12 toneladas com tambor liso, por exemplo, pode ser aplicado em um solo granular com partículas de tamanho até 30 centímetros de diâmetro. Mas se o solo tiver partículas maiores, recomendamos máquinas mais pesadas”, orienta.

Ele explica que é necessário combinar fatores como amplitude e frequência na compactação de solos. “No modo estático, o próprio peso dos rolos é responsável pela compressão. No caso da vibração, a compactação é gerada por um peso fora do centro, que gira em alta velocidade no interior dos cilindros. A compactação de alta densidade, gerada também pela frequência de operação, permite o efeito de profundidade e uma potência de compactação altamente eficaz em menor tempo”, detalha Rodrigo Pereira.

CUIDADO COM OS ERROS

É preciso estar atento para não cometer alguns erros comuns nesse tipo de serviço. É o caso, por exemplo, da sobrecompactação ou supercompactação, quando o equipamento continua trabalhando mesmo quando o solo já está suficientemente compactado. Rodrigo Pereira explica que esse problema resulta em custos operacionais desnecessários decorrentes do consumo excessivo de combustível, da perda de produtividade e de desgastes do rolo compactador.

Outro erro comum é o da subcompactação, quando a base não é adequadamente compactada. Em situações extremas, podem causar buracos e trincas nos pavimentos asfálticos e até mesmo deslizamentos. “Esses riscos podem ser evitados com o uso de ferramentas e técnicas de controle e acompanhamento do trabalho de compactação”, alerta Pereira.

Carlos Santos destaca, ainda, a falta de cuidados com o monitoramento da umidade do solo. “É muito comum em obras de grande porte a preparação de uma grande área para compactação e a disposição dos rolos em fila indiana para executar o trabalho. Essa fila indiana começa em uma borda da área a ser compactada, mas quando chega ao lado oposto, a umidade não é mais a mesma”, afirma. Segundo ele, isso gera diferenças no grau de compactação ao longo do terreno.

Ele também explica que em compactação de solo não é necessário desligar a vibração do rolo para mudar de direção. Isso gera picos de pressão desnecessários no sistema hidráulico, consumindo mais combustível e acelerando o desgaste dos componentes. “Outro erro de operação é não ajustar a velocidade de compactação do equipamento. Há uma velocidade de compactação adequada para os respectivos rolos. Se for realizada mais rápido do que o recomendado, o equipamento não irá aplicar energia suficiente para efetuar a compactação, resultando em mais passadas. Se for muito lenta, a máquina desperdiça energia onde já está compactado e demora mais tempo para percorrer o trecho”, finaliza Santos.

Fonte: Portal dos Equipamentos.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

BASE SETEMBRO/2020 - VALORES DE REFERÊNCIA PARA LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOShttps://sindileq.org.br/wp-content/uploads/2020/09/SUGESTAO-DE-PRECOS-BASE-SET2020.pdf