CARTA ABERTA DO PRESIDENTE

Indignação

“Não vai ter golpe!”

Quantas vezes nos últimos meses deparamo-nos com esta expressão?

A parcela da população brasileira que apoia a presidente da república e todo o sistema político que ela representa a utiliza para posicionar-se contra a opinião daqueles que entendem que há motivos para questionar a legitimidade do exercício do poder por um grupo de pessoas envolvidas em vários escândalos de corrupção e má administração dos recursos públicos.

Ao chamar de golpe os legítimos anseios de significativa parcela da sociedade os defensores do governo tentam transmitir a ideia de que o clamor por mudanças é uma coisa menor, retrógrada e que contém ranços de uma derrota nas urnas ainda não assimilada.

Entendo suas razões. É mais fácil agir assim que encontrar argumentos sólidos para justificar as ações de um governo que levou o país à mais séria crise econômica da história, que nos obriga a conviver diariamente com seguidas denúncias de atos de corrupção, muitos deles comprovados, e que demonstra ser incapaz de encontrar uma solução para os problemas políticos que enfrenta, nascidos da falta de diálogo, da prepotência, da soberba e da incompetência.

Essa postura, dita progressista, sempre foi justificada como sendo em prol da defesa da democracia e da justiça social.

Justiça social é uma conquista natural de uma sociedade que vive num regime de pleno emprego, de estabilidade econômica e com acesso a direitos básicos como educação e saúde de qualidade, segurança pública eficiente e que, em troca dos impostos que recolhe, recebe serviços públicos decentes. É desnecessário dizer que estamos longe de tudo isso!

A democracia, para ser vivida em sua plenitude, pressupõe a existência de rigoroso respeito às leis, às instituições e à vontade popular.

A recente nomeação do ex-presidente Lula para o ministério é um evidente desrespeito à vontade popular manifestada em todo o país no último dia 13 de março. É também um desrespeito ao próprio ministério de que fará parte pois foi nomeado mesmo estando sob várias investigações relacionadas a crimes de corrupção, ocultação de patrimônio, furto de bens da presidência da república e tráfico de influência.

A justificativa de que foi nomeado por sua capacidade de gestão e de negociação com o parlamento esconde uma desesperada tentativa de se evitar a sua prisão e o impeachment da chefe do executivo e traz à luz a realidade inegável de que ela não tem condição de continuar à frente da presidência da república, por enfrentar uma enorme taxa de rejeição por parte da sociedade por não demonstrar ter credibilidade e força moral para se fazer respeitar no desempenho da função.

O cargo com que foi contemplado o ex-presidente, aliado à fraqueza da atual, dará a ele autonomia de chefe do poder executivo e nos submeterá a um governo com características similares às do parlamentarismo, regime que não condiz com a tradição e a vocação do povo brasileiro e que, inclusive, foi rejeitado em plebiscito realizado em 1993. Será um governo híbrido e que permitirá a quem o exercer beneficiar-se da maleabilidade do parlamentarismo protegido pelo rigor do presidencialismo. Na prática, o que se projeta é um terceiro mandato para aquele que, um dia, se apresentou como um incansável defensor da democracia e da ordem jurídica e institucional.

Assistimos perplexos à maior demonstração de hipocrisia já vista na política nacional, o que é imoral e inaceitável!

Enquanto milhares de trabalhadores perdem seus empregos a maioria das empresas que se mantém de portas abertas convive com enorme dificuldade para honrar seus compromissos, em função de queda brutal de faturamento,e sofre com a falta de perspectiva de uma melhoria no ambiente de negócios.

Hoje assistimos estarrecidos a um teatro montado com objetivo de evitar a prisão de um ex-presidente que não se dá ao respeito e de permitir a sobrevida de um governo zumbi que já deveria ter sido enterrado há tempo.

As pessoas de bem do Brasil precisam reagir. As manifestações contrárias ao que estamos assistindo precisam aumentar em quantidade e qualidade.

A possibilidade de uma greve geral deve ser considerada.

Não vai ter golpe. Já teve!

SINDILEQ – MG
Eng. José Antônio S. de Miranda Carvalho
Presidente

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