A economia e a política e a política da economia…

A economia e a política e a política da economia…

Por: Cristina  E. Bighetti

A tão sonhada retomada da economia realmente está em andamento e já saímos do estado crítico. Já na política…

Esse é o sentimento percebido nos diversos eventos da área de construção e infraestrutura realizados no último trimestre. Com o setor mais otimista, porém ainda muito cauteloso com relação à expectativa de um 2018 e 2019 melhores do que 2017, uma coisa é certa: o país tem um foco econômico diferente do político. Não se sabe ainda se o brasileiro esgotou a sua capacidade de indignação com a política, ou se, com a economia voltando a dar sinais de aquecimento, saímos de fato do lugar.   Mas as empresas, incluindo as locadoras, trabalham absolutamente focadas na própria sobrevivência e nas correções de rota para seguirem em frente.

Especialistas do setor de construção afirmam que em algum momento do   terceiro trimestre teremos a confirmação de que realmente saímos da recessão. Mas persiste ainda o temor de um recrudescimento da crise política e uma deterioração ainda maior das contas públicas, nossas grandes ameaças.

Em seminário realizado em São Paulo, em agosto,  pela Sobratema – Sociedade Brasileira de Tecnologias para Construção e Mineração, o economista Ricardo Amorim e a jornalista Cristiana Lobo concordaram que apesar do agravamento constante no cenário político, a economia parece ter se “descolado” um pouco e segue um rumo diferente. A maioria dos eventos que se seguiram em setembro e outubro, confirmaram a mesma linha de pensamento defendida por Ricardo Amorim na  Sobratema.

“O longo período de estagnação que passamos reforçou três lições fundamentais”, observou Ricardo Amorim. “Primeiro, planejamento e gestão, que são imprescindíveis se não quisermos atravessar novas crises. Em segundo lugar, um Brasil mais competitivo rico e justo requer um Estado menor, menos oneroso para a sociedade e muito mais eficiente. Terceiro, combater implacavelmente a corrupção, que é função de todo e qualquer governo. Mas o Brasil está em reformas. Apesar de  estarem muito aquém do desejado, as reformas Trabalhista, Previdenciária e Tributária, o teto de gastos públicos e o programa de privatizações e concessões fortalecem a geração de empregos e riqueza e o potencial de crescimento do país. Por outro lado, as 10 Medidas Contra a Corrupção e a Reforma Política foram paulatinamente desfiguradas pelos congressistas. Com medo de perderem a proteção do foro privilegiado, os políticos estão empenhados em intimidar quem os investiga e julga e aumentando suas chances de reeleição com mudanças nas regras eleitorais”.

Para o economista, ainda existe mais uma reforma esquecida: a Reforma do Judiciário. Segundo ele, o atual modelo de organização desse Poder está defasado. As instâncias inferiores do Judiciário têm, em geral, cumprido seu papel de investigar e tentar punir os corruptos, mas as instâncias superiores frequentemente impedem que isto aconteça – por letargia ou ingerência política”, diz Amorim.

O problema agora é como os brasileiros vão conseguir, ainda que psicologicamente, “descolar” a economia da política, para poder, mesmo que lentamente, vislumbrar algo de mais positivo nos tempos que virão.

 

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